Foto: Reprodução
Quem frequentou os tradicionais restaurantes de Santa Maria, por certo tem na lembrança a figura simpática do garçom Severo, um sujeito diferenciado na profissão, que cativa clientes pelo atendimento, fidalguia e seu característico sorriso no rosto.
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Severo trabalha há 47 anos como garçom, somando sete anos de Churrascaria Galo de Ouro (ficava na Av. Medianeira, em frente onde hoje é o Banrisul), mais 33 anos de Restaurante Augusto e, por enquanto, sete anos de Restaurante Vera Cruz, com serviços muito bem prestados e, por que não dizer, muito bem lembrados por quem já recebeu seu atendimento.
Nascido no Passo da Capivara, em Santa Maria, começou a trabalhar aos 11 anos, vendendo leite numa carroça. Entregava sozinho, em média, de 90 a 100 litros de leite por dia, de casa em casa.
Aos 20 anos, foi trabalhar na Galo de Ouro, como “passador” de carne nas mesas. Após um tempo, decidiu voltar para a atividade de leiteiro, mas o recomeço durou pouco. O advento da Corlac (empresa estatal do setor leiteiro) derrubou os leiteiros. Com isso, em 1985 voltou para a Galo de Ouro, mas a churrascaria não vinha bem das pernas. Nesse meio tempo, recebeu um convite para trabalhar no Restaurante Augusto.
E foi no Augusto que fez história. Atendendo a fileira central de mesas, Severo era uma espécie de marca registrada do restaurante, ao ponto de muitos clientes não abrirem mão de sentar justamente onde ele atendia.
Certa feita, o escritor Fabrício Carpinejar esteve no Augusto. Acostumado a lidar com garçons carrancudos e estressados, foi atendido por Severo e seu semblante feliz e sorridente. Sem entender como podia aquilo, decidiu escrever uma crônica sobre o fato. Como podia um garçom atender de forma tão alegre e, ainda por cima, se chamar Severo? A crônica faz parte do livro Borralheiro, lançado pelo escritor em 2011.
Outro fato marcante ocorreu no Vera Cruz. Um casal, juntamente com o filho, foi almoçar. Ao final, o cliente satisfeito perguntou qual a maior gorjeta que já havia recebido. Severo respondeu que tinha sido de R$ 200. O homem, então, sacou R$ 350 da carteira, dizendo que aquele valor era para Severo nunca mais esquecer dele. Falando em gorjetas, relembra que, nos tempos de Augusto, o valor delas representava de duas a três vezes o valor do salário.
Aos 67 anos, Severo não pensa em parar. A única situação que evita – no trabalho e no dia a dia – é subir escadas. Isto porque, em 2016, precisou colocar duas “molinhas” no coração. De resto, segue trabalhando firme, forte e faceiro, com seu inconfundível sorriso para bem atender.
Por isso, enquanto tiver saúde e o coração deixar, seguirá escrevendo sua bonita história quase cinquentenária de garçom, sendo estimado por todos que o conhecem e dignificando a profissão que abraçou para a sua vida.